segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Academia de Letras de Trás-os-Montes


Relatório
2010-2013

Os órgãos da Academia de Letras de Trás-os-Montes (ALTM) eleitos em 5 de Outubro de 2010 terminam hoje, 14 de Setembro de 2013, o seu mandato. Propus, e a Direcção aceitou, bem como o Presidente da Assembleia Geral, A. M. Pires Cabral, que as eleições fossem antecipadas em três semanas, por duas razões: evitar o ruído ante e pós-eleitoral, mas, sobretudo, ter ainda em exercício de funções o executivo autárquico que, sem os perigos anunciados por alguns no debate pré-eleitoral de há três anos, neste mesmo espaço, soube ajudar-nos, desobrigando-nos, e nos deixou exprimir longe de uma qualquer respiração assistida. Como prometido em Junho pelo Presidente António Jorge Nunes, na terceira edição de Artes e Livros, evento em que mais flagrante se mostrava a nossa parceria, a saída de serviços contíguos à Biblioteca Municipal facilita à Academia novas áreas, que a Direcção hoje eleita há-de aproveitar capazmente. Esta é a primeira pedra branca numa relação sem mácula, oficialmente protocolada, sem custos particulares para autarquia que, no sector da Cultura, deixa cidade e concelho excelentemente servidos. Convidei, por isso, além do Presidente e seu chefe de gabinete, Jorge Novo, a vereadora desse pelouro, Fátima Fernandes, e, sendo certo que eles, eu e alguns mais nos despedimos de responsabilidades administrativas, era justo saudá-los nesta ocasião, com um agradecimento extensivo aos técnicos fisicamente próximos da Academia, e, em particular, Fátima Martins e José Pedro Santos. E porque antes da estrutura física estão as pessoas, com seus sonhos e projectos ‒ isso que, na linguagem dos governos, é uma ‘realização’ ‒, cumpre recordar ter sido Jorge Nunes o elemento propulsor da nave de que, agora, vamos a bordo, com responsabilidades acrescidas face à melhoria de condições e à reflexão para que este triénio inaugural já serviu. Antes de me abalançar ao mesmo, e corolário da dívida que todos sentimos ‒ pois «gratidão não chega, quando se pode ser generoso», dizia avô no meu último romance ‒, informo esta assembleia que, sob proposta minha, decidiu a Direcção da Academia eleger António Jorge Nunes como sócio honorário. Ter aceitado vir aqui, com os seus colaboradores, completa a nossa alegria.
Outros sócios honorários são, neste momento, por ordem do primeiro nome, Adriano Moreira ‒ que também o é pela idade e pelo prestígio, além de emprestar o nome ao Centro Municipal onde reunimos ‒, o editor que mais transmontano publicita, António Baptista Lopes, o barrosão Bento da Cru, a bragançana Eduarda Chiotte,  o grão-dicionarista e querido Amigo Hirondino da Paixão Fernandes, a quem tanto devemos, a vila-realense Luísa Dacosta, o mogadourense voluntário  e holandês residente José Rentes de Carvalho, a filha adoptiva desta «terra parda» Teresa Martins Marques, que apresenta, divulga e amadrinha autores nossos na Associação Portuguesa de Escritores, e, enfim, o livreiro mirandelense Nuno Canavez, cujas bibliografias, ofertadas ao nosso Centro de Documentação, alargam perspectivas de trabalho histórico-literário de futuros investigadores. Em Junho, infelizmente, deixou-nos Roger Teixeira Lopes.
Deixara-nos, antes, João Sá, mas vem crescendo o número de membros: descontados honorários, temos 101 sócios efectivos, dos quais queria salientar dois: Pires Cabral e Amadeu Ferreira.
Aquele decidiu abrir vaga na presidência desta Assembleia. Só de pensar na tarefa hercúlea do seu dicionário, que será o mais completo repositório da nossa fala, percebe-se a razão. Julguei que poderia ser apresentado nesta manhã, mas o editor supracitado desenganou-me, tal a complexidade gráfica dessa empresa. Sondei alguns, que poderiam tomar o seu lugar; vi-me constrangido, enfim, a avançar o meu nome.
Amadeu Ferreira, entretanto, tendo presidido à instalação da Academia, desde a fundação, em 12 de Junho de 2010, atirou-me para a primeira Direcção eleita, num jantar de véspera. Era o que menos me convinha, em ano de República, em que corri o país de lés-a-lés, a publicitar o meu 5 de Outubro ‒ Uma Reconstituição. No próprio dia 5, saímos daqui já tarde (os discursos de Bragança do Pará não prezam a brevidade…), mal almocei às três da tarde, porque aguardava motorista, e, às cinco, eu era orador oficial das comemorações do dia na Guarda… Ficou logo assente, entre ambos, que, tratando-se de «uma academia de duas línguas» (como intitulei conferência minha na Academia Paraense de Letras), ele seria o presidente seguinte. Já lançou uma ideia a consubstanciar na Assembleia Geral de Março, quando a sua Direcção apresentar programa anual: organizar-se um Congresso de Escritores Transmontanos. Homem de vontade e coragem, compreendeu já, tanto Teresa e eu o seringámos, que urge reduzir o esforço ‒ que ele, todavia, não regateará à Academia.
Foi por sua intermediação, e maior trabalho do meu lado, que a Academia se apresentou ao vasto mundo lusófono, quando, em Dezembro de 2010, surgiu com a ideia, levado da Politécnico do Bragança, de uma antologia de autores. Nasceu, assim, A Terra de Duas Línguas, título que, em Março, ele me exigia por telemóvel, estava eu, com Teresa, passeando em Rabat, Marrocos. Sentámo-nos no café Veneza, na estação ferroviária, e saiu-me o título, que logo lhe telefonei.
A segunda antologia, já deste ano, foi ideia minha, e renovado cansaço: ensinou-me, todavia, que só se vive em comunidade (é o caso de uma academia) se cada um de nós for consequente, se souber que terá um exemplar com texto seu em troca do pagamento da quota. Isso ajuda um sócio-editor; e, ainda que não colabore, a quota anual é uma obrigação, e, sendo baixa, é suficiente para outra operação de marketing, a saber, estar entre os poucos patrocinadores da Obra Completa do Padre António Vieira, com trinta volumes e milhares de exemplares, espalhados pelo mundo lusofalante ad saecula saeculorum, abrindo pelo cursivo das nossas montanhas…
Resumindo: se, ao espaço físico proporcionado pela autarquia, acrescentarmos o noticiário da fundação, as jornadas de Junho (em especial, a terceira), as duas antologias de autores transmontanos e esta presença vieirina urbi et orbi, não há como negar-se ter-se apresentado bastantemente a Academia. Houve, ainda, lançamentos de obras ‒ saliento alguns volumes da Bibliografia do Distrito de Bragança, a antologia de homenagem a Pires Cabral, nos seus 70 anos, e a que ontem mesmo, na celebração dos cem anos de Raul Rêgo, lançámos em boa parceria com e no Grémio Literário Vila-Realense; houve três tertúlias, saudações a Bento da Cruz e Barroso da Fonte ‒ este, nos seus 60 anos de vida jornalístico-literária ‒, a exposição biblio-iconográfica da Embaixada da Hungria, o início de entrevistas mensais na Rádio Brigantia, o desafio de Leonel Brito para documentar em filme alguns dos nossos autores. Temos dois endereços electrónicos, site, blogue e facebook, requerendo, todavia, maior acompanhamento. Entre outras matérias, o site contém catálogo da nossa biblioteca, constituída por obras oferecidas pelos académicos, e não só. A par disso, urge um contacto sócio a sócio, para clarificar endereços e situações financeiras. No mais, as pastas da burocracia estão organizadas.
Visando partilha de esforços, equitativa, entre geografias, os novos órgãos sociais aumentam ligeiramente a presença de Vila Real. Amadeu Ferreira quer reuniões descentralizadas e um melhor conhecimento do que uns e outros fazemos. É esse o caminho.              
  

terça-feira, 10 de setembro de 2013

A Casa de Bragança



Fotografia de Nuno Calvet faz a capa do romance A Casa de Bragança, cuja primeira edição já esgotou. O lançamento, em Lisboa, da segunda edição será no dia 28 de Novembro, em lugar a definir.

domingo, 8 de setembro de 2013

O Romance do Gramático

Esgotou a primeira edição do romance A Casa de Bragança (Âncora Editora, 2013), antes, ainda, do lançamento em Lisboa e noutras localidades. Enquanto não se imprime segunda edição, pode o leitor apreciar O Romance do Gramático (Gradiva, 2011), de que segue sinopse em português e, mais reduzida, em inglês:

Formado por dois ‘livros’, O Romance do Gramático (Lisboa, Gradiva, 2011) é a transcrição, com leitura actualizada, de um manuscrito (recto e verso) que o autor conheceu em família de judeus húngaros. No primeiro ‘livro’, mostra-se, sob roupagens conventuais, um foco de resistência à ameaça turca, em 1532, na ilha de Bled, Eslovénia. O aveirense Fernão ou Fernando de Oliveira (1507-1580? 1581?), fugido dos dominicanos de Évora, dá-nos agitado romance de cristãos patriotas, o qual será posto no Index. No segundo ‘livro’ – Uma história mal contada –, refaz-se a vida aventurosa de pioneiro, com Gramática da Linguagem Portuguesa (1536). Texto na terceira pessoa, atribuído a censor, é retomado pelo comum amigo Duarte Nunes de Leão, e deixado em herança a um inesperado copista do verso de vasto fólio – o filho que Oliveira perseguira durante 48 anos.
Entre documento e ficção, propõe-se um novo rosto do também historiador de Portugal e teórico da construção naval na Europa. Interessa reabilitar o espírito livre e heterodoxo de quem foi frade e desfradou-se, marinheiro ao serviço de França e prisioneiro de ingleses, e sofreu, por duas vezes, as injúrias da Inquisição, que o teve preso. Nesse reino do medo e da intolerância, a rebeldia e boa disposição destas páginas são o melhor antídoto, inclusive, para os dias de hoje.



The Novel of the Grammarian [O Romance do Gramático] is the transcription of a manuscript the author discovered in the possession of a Jewish-Hungarian family in 1981.
An ex-monk, Fernão de Oliveira, narrates the strange occurrences in a convent on the island of Bled (Slovenia) in 1532, with Christian Europe threatened by the Turks. The novel follows the adventurous life of the first Portuguese grammarian (1507-1581) who was a sailor in the service of France, who when a prisoner in England met Henry VIII and who was also persecuted by the Portuguese Inquisition.

With pages enriched by facts and figures from the 16th Century, by intrigue and liberty of thought, the rebellion and good humour of this tale are the best response to today’s sad times.


Ernesto Rodrigues (born 1956-) is a Lecturer at the Faculdade de Letras of the Universidade de Lisboa and president of the Academia de Letras de Trás-os-Montes, Portugal. A former journalist and lecturer in Portuguese at the University of Budapest from 1981-1986, he has published twenty works of both poetry and fiction from his debut in 1973 until his most recent publication A Casa de Bragança  in 2013.
   Rodrigues has compiled prefaced editions for twenty one Portuguese authors, and translated more than twenty works from Hungarian, including the Nobel Laurete Imre Kertész, Sándor Márai, Desző Kasztolányi and Magda Szabó together with an Anthology of Hungarian Poetry published in 2002. He has compiled eight volumes of essays, of which Mágico Folhetim: Literatura e Jornalismo em Portugal (1998) and Cultura Literária Oitocentista (1999) are of particular mention.