segunda-feira, 6 de julho de 2009

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A corte Luso-Brasileira no jornalismo português (1807-1821)

Ernesto Rodrigues (n. 1956) é poeta, ficcionista, crítico, ensaísta e tradutor mas tem uma paixão pelo jornalismo: assinou «Mágico Folhetim – Literatura e jornalismo em Portugal» (Editorial Notícias) de 1998 e «Crónica Jornalística do século XIX» (Círculo de Leitores) de 2004. No bicentenário da chegada da corte joanina ao Brasil, reúne neste livro textos significativos de 109 jornais da época com nomes tão insólitos como A abelha portuguesa, O amigo do Povo, o Liberal, o Patriota, o Correio do Povo, o Génio Constitucional ou O Observador onde se pode ler por exemplo: «A corrupção que resultou da posse da Ásia e dos mais domínios descobertos e conquistados pelos nossos antepassados, foi a primeira causa da nossa decadência; a intolerância e o fanatismo religioso introduzido por D. João III perdeu a D. Sebastião e com ele expirou a glória de Portugal». Um segundo exemplo é o texto de Francisco Solano Constâncio sobre a abolição do comércio de escravos no Brasil em 1815: «A escravatura é o pior achaque do Brasil e há muito tempo que deveríamos ter começado a tomar medidas gerais e constantes para civilizar os índios e emancipar gradualmente os pretos».
Um livro de 302 páginas que interessa em especial aos estudantes não só de história mas também de jornalismo. Mas que pode interessar os leitores em geral pois estão em causa as repercussões da ida da Corte para o Brasil em 1807 numa decisão que teve tanto de imprevista como de organizada – D. João não chegou ao Rio como um exilado mas sim como um chefe de Estado em funções.
(Edição de Ernesto Rodrigues com apoio da CLEPUL, da FCT e da Excellent Óptica)


José do Carmo Francisco

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Programa de Governo

Educação, saúde – o resto, dizia
eu, será ministério da economia.

Era programa breve, embora omisso
na parte da justiça. Bom: quanto a isso,

eu não tinha passado inda pelo largo
do desembargo, ou do letargo, amargo,

razão para cortar tanta soberania
falsa, arrogantíssima. Amá-la-ia,

se diferente fosse; resta-nos ficar
com deputados, presidente, apesar

de muito cidadão desejar ser ministro
(coisa que, nesta terra, rima com sinistro).

Sem, pois, economia, nada mais existe,
nem se distribui riso a um povo triste,

ou dispomos de nós, como diz a Lucílio
Séneca, rico do seu pouco. O exílio

não é vocação – pesa –, ó amada pátria:
sê grande, mas em ti; cria bens; idolatre-a

quem, demagogo, incapaz de produzir,
e lá fora vender, quer Alcácer Quibir

aqui. Mal educado, doente, sem pão,
não nos bastou já um rei D. Sebastião?

Ernesto Rodrigues