sexta-feira, 3 de julho de 2009

Programa de Governo

Educação, saúde – o resto, dizia
eu, será ministério da economia.

Era programa breve, embora omisso
na parte da justiça. Bom: quanto a isso,

eu não tinha passado inda pelo largo
do desembargo, ou do letargo, amargo,

razão para cortar tanta soberania
falsa, arrogantíssima. Amá-la-ia,

se diferente fosse; resta-nos ficar
com deputados, presidente, apesar

de muito cidadão desejar ser ministro
(coisa que, nesta terra, rima com sinistro).

Sem, pois, economia, nada mais existe,
nem se distribui riso a um povo triste,

ou dispomos de nós, como diz a Lucílio
Séneca, rico do seu pouco. O exílio

não é vocação – pesa –, ó amada pátria:
sê grande, mas em ti; cria bens; idolatre-a

quem, demagogo, incapaz de produzir,
e lá fora vender, quer Alcácer Quibir

aqui. Mal educado, doente, sem pão,
não nos bastou já um rei D. Sebastião?

Ernesto Rodrigues

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